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TERCEIRA EDIÇÃO

CANDOMBLÉ: SUAS ORIGENS E MISTÉRIOS
Autor(es)
Filipe Mateus M. da Silva [Produção Editorial / Terceiro Semestre]

Revista

Agô! Peço licença aos Deuses do Candomblé para falar um pouco mais dessa religião que muitos acreditam ser ainda uma cultura popular e, na verdade, é.
Oriundos da África, os negros-escravos encontraram no Candomblé uma fuga para a vida martirizada, cheia de sofrimento e exploração na qual viviam.

Em lugares distantes, geralmente nas matas, os negros cultuavam os Orixás, louvando e adorando os “pés-de-vento” (nome dado às entidades do Candomblé) com inquices, cantigas e oferendas.

Porém, essa adoração tinha de ser acompanhada pelo sincretismo religioso, pois os senhores, donos dos escravos, não admitiam outro tipo de religião/seita que não fosse a sua, ou seja, a Católica. Por isso, os negros foram obrigados a fazer associações entre os santos Católicos e as divindades do Candomblé. Só assim sua seita religiosa poderia sobreviver, como sobrevive até hoje, e a cada dia tomando mais espaço.

No final do século XIX, período que marcava o fim da escravidão, os negros fugiram para as áreas urbanas e começaram a propagar sua religião. A partir de 1960, o Candomblé começa a se expandir, e aquela seita que era exclusiva de grupos negros descendentes de escravos, começa, agora, a adquirir adeptos de todas as raças e passa a não ficar só confinada na Bahia e Pernambuco, lugares onde se têm, com maior intensidade, o culto afro.

A palavra Candomblé sugere vários tipos de ritos, com diferentes ênfases culturais, aos quais damos o nome de nações. Elas se diferem, sobretudo, na forma de falar - devido ao local de origem -, nas cantigas, vestimentas e fundamentos. São três os principais tipos de nação: Ketu, Angola e Jeje-mahim.

A nação Ketu é a mais conhecida entre elas. Aqui predominam os Orixás e ritos de iniciação iorubá, língua oriunda do Golfo da Guiné. Ela serve de “exemplo” para as outras nações, que adotam muitas de suas práticas em seus rituais.

A nação Angola é de origem banto, língua adotada pelos povos da Angola e Moçambique, porém incorpora muitas práticas iorubás em seus cultos. Nesta nação é comum se praticar o culto aos caboclos como principal tarefa.

E, por último, a nação Jeje-mahim, que tem como origem a língua ewê-fon, também trazida do Golfo da Guiné. Essa nação quase não é mais vista nos terreiros de Candomblé, porém é a mais velha de todas e a grande responsável pela formação dos Candomblés de língua iorubá, como a nação Ketu.

Dentro da seita do Candomblé, há muitos mistérios que só quem é feito (iniciado/Yawô) tem acesso e muitas vezes só os Babalorixás (Baba=pai, Orixás=Divindades; Pai das Divindades ou Pai de Santo) ou Yalorixás(Ya=Mãe, Orixá=Divindade; Mãe das Divindades ou Mãe de Santo), sacerdotes da religião, Ogans e Equedes, espécie de substitutos dos pais e mães-de-santo, são quem os conhece.

Dentre esses mistérios, estão as oferendas, que são sacrifícios de animais oferecidos aos Orixás, ou usados em algum tipo de ebó (trabalhos, limpezas, etc). Há ainda a Jurema, bebida oferecida em festas de Caboclos, cujo conteúdo é desconhecido. Os pontos, oferecidos aos Orixás, cada qual com finalidades específicas: para chamar o Orixá, para o Orixá tomar Run (dançar no barracão - salão extenso onde acontecem as festas), para o Orixá se despedir, etc. Sem falar do jogo dos búzios, que revela os mistérios de sua vida, dom concebido somente aos sacerdotes.

Falar do Candomblé, porém, é um trabalho muito grande, que precisaria de páginas e mais páginas, e ainda assim não seria concluído.

O que se sabe é que essas forças, chamadas de Orixás, vêm do Cosmo e representam as forças da natureza, tendo ligação direta com os elementos terra, fogo, água e ar, e tudo o que está contido neles. Cada elemento desses representa um Orixá, ou melhor, alguns Orixás.

E mais ainda, essas forças naturais, quando clamadas com fé e crença, têm muito valor. As pessoas buscam nos Orixás, Caboclos (espírito de índios), Marujos (Eguns – espírito de marinheiros) e Erês (espírito de crianças) a força, o conselho, o conforto para suas vidas.

Ao som dos atabaques e agogôs, por baixo das vestimentas, por cima dos mistérios, com as estripulias dos Erês, com a seriedade dos Caboclos e Marujos e com a benção dos Orixás, essa religião, recheada de prazeres, beleza, mistérios e muita responsabilidade, guarda e acolhe, sem distinção, todos que precisam e têm fé e que procuram nela uma alegria para viver.

“Olorum mudupé”. Que os Orixás nos acompanhem hoje e sempre.

Axé para todos!
 
Faculdade Hélio Rocha - Comunicação Social - Habilitação - Produção Editorial