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TERCEIRA EDIÇÃO

A CAPOEIRA COMO INFLUÊNCIA NA CULTURA
Autor(es)
Maristela e Augusto [Produção Editorial / Terceiro Semestre]

Revista

A capoeira é reconhecida mundialmente como um dos mais fascinantes elementos da Cultura Afro-Brasileira. Com certeza pode e deve funcionar como instrumento auxiliar no processo de Inclusão Social, desde que se resguarde o previsível risco de deturpação ou de alienação cultural e social. Para utilizar a capoeira como meio de Inclusão Social será sempre de fundamental importância que o mestre/ professor entenda, respeite e considere o meio ambiente ao qual pertencem seus alunos. Esse pertencimento é o essencial ponto de partida para o engrandecimento de cada aluno, ignorá-lo será contribuir para uma total perda de identidade, de valores comunitários locais da própria história familiar de cada um.

A capoeira é uma manifestação cultural pela sua própria natureza, ela depende da aproximação de gerações, o que integra a sociedade de forma geral, capaz de resistir às influências externas e a persistir no tempo.

A postura de respeito aos mais velhos certamente conduz uma auto-estima e consideração aos companheiros das gerações, unindo o grupo social, transformando-o numa família à qual todos se orgulham de pertencer, como todos fazem na roda de capoeira. Esta é a razão de maior influência comportamental nos deficientes, da melhoria do rendimento intelectual congênito e das condições psicológicas.

A capoeira faz parte da identidade sócio-cultural do povo baiano.

José Armando
Professor de capoeira dentro do projeto Cultura VIVA

Ele é graduado como instrutor dentro da capoeira, mas já tem o direto de ministrar aulas. A capoeira passou a fazer parte de sua vida, fazendo um bem espiritualmente e fisicamente.


Para ele, este projeto ainda não atende às reais necessidades da população jovem brasileira, mas sim aos interesses do Children´s Projeto e. V. da Alemanha, que é um projeto que veio para o Brasil, especificamente no bairro de Pituaçu em Salvador-BA e se justifica pela carência de uma educação voltada para o resgate da cultura e que através dela seja possível uma atividade auto-sustentável e profissionalizante.

Na entrevista com Maristela (M) e Augusto (A), ele afirma também que o que falta para ampliar esse projeto na Bahia inteira e quem sabe futuramente no Brasil são recursos vindo do próprio governo brasileiro, onde ainda não tem o mínimo apoio, e o pouco recurso disponível vem da Alemanha.

Entrevista com José Armando (presidente e instrutor da capoeira dentro do Projeto Cultura-Viva)

M&A - Qual o objetivo da capoeira dentro do Projeto?
José Armando - O principal objetivo é tirar as crianças do meio da criminalidade e conduzi-las ao ambiente social, que no caso será através da capoeira. Mas como princípio, elas serão induzidas a freqüentarem a Escola, pois a educação está em primeiro lugar.

M&A - De onde vem o financiamento do Projeto?
José Armando - Vem do governo alemão, através de dinheiro que é passado para uma representante do projeto aqui no Brasil, mas “as ONG’s tiram a responsabilidade do governo (aqui no Brasil) em ajudar essas instituições...”diz, J. Armando.

M&A - O que te levou a praticar a capoeira?
José Armando - A influência vem desde garoto, o gosto pela capoeira foi inevitável, foi amor à primeira vista. Hoje a capoeira faz parte da minha vida de domingo a domingo, é um meio de me sentir bem espiritualmente.

M&A - Você acha que a capoeira pode ser considerada como um comércio?
José Armando - Capoeira hoje é comércio para a maioria das pessoas, mas se algum dia a presidência do projeto disser que não vai mais me pagar, eu continuo com a prática, pois eu amo a capoeira e pediria aos alunos uma ajuda de custo para investir em materiais como instrumentos, cordas, etc.

M&A - O que você acha sobre a matéria publicada no jornal Á Tarde sobre a exigência do nível superior em educação física para se tornar mestre?
José Armando - É legal para os futuros mestres que irão dar aulas em escolas, instituições e afins; mas no meu caso e de meus colegas que de começo pretendemos apenas dar aulas em projetos comunitários, esse processo de graduação em nível superior ficaria difícil para nós.

M&A - Você considera a capoeira dentro do projeto como um possível meio de geração de empregos?
José Armando - Acho que pode ser um meio de trabalho ou somente para se praticar como um esporte.
“Dá para ganhar dinheiro com a capoeira, até quando se fizer à capoeira” diz, J. Armando .

M&A - Sobre a prática da capoeira contra a violência, o que você transmite aos seus alunos?
José Armando - O respeito em primeiro lugar. È claro que quando os moradores vêem um capoeirista eles respeitam até mesmo por medo; o que passo para os alunos é que não se deve levar a capoeira com um meio de violência e sim de um esporte, um resgate cultural. E ensino principalmente a saberem ouvir e respeitar não somente aqui no projeto, mas também no ambiente social.
 
Faculdade Hélio Rocha - Comunicação Social - Habilitação - Produção Editorial