Introdução
Em um país subdesenvolvido como o Brasil a maneira como os grandes meios de comunicação publicam seus programas tem o incrível poder de decidir o resultado de uma eleição.
Com grande parte do eleitorado analfabeto e sem poder de reflexão, fica fácil para os candidatos se utilizarem destes meios para iludir a população com falsas promessas.
Os grupos que detêm o poder dos principais veículos de comunicação também utilizam seus programas da mídia para defender candidatos que teoricamente estão ao lado do povo, mas, quando são eleitos, defendem apenas questões de interesse próprio e das elites aqui estabelecidas.
Collor de herói a vilão:
No final da década de 80, quando o Brasil passava por uma grande transformação em seu cenário político e social, surge um nome forte para as eleições presidenciais de 1989, Fernando Collor de Melo.
Naquela ocasião estávamos passando por um dos momentos mais conturbados de nossa história. Com o final da ditadura militar, surgiu como um símbolo da democracia, as primeiras eleições diretas para presidente, a qual saiu vitorioso Collor.
Seu principal oponente naquela ocasião era o Lula, um socialista que defendia os direitos da classe operária e que tinha idéias revolucionárias que iam de encontro aos interesses da burguesia.
Collor, até então pertencia ao PRN (Partido da Renovação Nacional), um partido com pouca influência no cenário nacional, mas com idéias liberais que agradavam as classes altas do Brasil.
Então os grandes meios de comunicação, principalmente a Rede Globo, investiram na construção da imagem de um homem jovem, com idéias avançadas e corajoso, que ficou conhecido como “o caçador de marajás”, título recebido por tentar acabar com os privilégios dos funcionários públicos de alto escalão do estado de Alagoas, onde era governador. Esse era o perfil perfeito para o homem que iria trazer “as mudanças que o Brasil precisava”.
Segundo Luís O. Franceschine, em seu artigo marajás e caras-pintadas: A memória do governo Collor nas páginas de O Globo, a mídia criou dois personagens, os marajás e os caras-pintadas que representaram respectivamente a ascensão e queda de Collor ao poder. Franceschine diz ainda: “A falta de uma trajetória política significativa, conhecida do eleitorado, permitiu que ele se moldasse às demandas da imprensa e pautasse suas ações, gestos e discursos de acordo com o personagem que as empresas de mídia queriam popularizar”. Em um trecho de seu artigo Franceschine diz que com os aumentos das denúncias de corrupção, as quais foram agravadas pelas revelações de Pedro Collor, irmão do presidente, as organizações Globo tiveram que rever suas posições de apoio a Collor. “Para a burguesia e o grande capital, era preferível explicar a queda de Collor como uma exigência de pacíficos e bem humorados estudantes, movidos pelo patriotismo, do que partilhar essa capacidade de mobilização entre trabalhadores, sindicalistas e partidos de esquerda, cujas reivindicações iriam muito além do fim da roubalheira e a punição dos culpados.
Então podemos perceber que Collor foi um personagem criado pelos grandes veículos de imprensa, para um plano ambicioso de domínio político, o qual teve que ser interrompido quando viram que o processo de impeachemant era irreversível.
Pode-se perceber que as reportagens publicadas pelas grandes empresas de comunicação, que deveriam ser imparciais na verdade são tendenciosas e trazem o discurso ideológico das classes altas que brigam pela hegemonia política do país.
TV Bahia objeto de dominação político
A TV Bahia, filiada à Rede Globo, é a rede de televisão líder em audiência no Estado. Este poderoso veículo de comunicação pertence à família do senador Antônio Carlos Magalhães, político mais influente do Estado. O senador já esteve envolvido em vários escândalos políticos, como a fraude do painel do senado e dos grampos telefônicos. Apesar de ter sido forçado a renunciar para não ser cassado pela Comissão de Ética do Senado, conseguiu ser reeleito.
O senhor Antônio Carlos Magalhães, é líder do PFL na Bahia, o partido de maior influência no Estado.
Fazendo uma análise dos programas exibidos na TV Bahia, principalmente dos noticiários veremos que as reportagens são tendenciosas, e no espaço reservado para as campanhas eleitorais os políticos do grupo do senador tem privilégios como maior tempo para expor sua campanha.
Diante desses fatos chega-se à conclusão de que a Rede Bahia de Televisão é utilizado pela família Magalhães como um instrumento de dominação política e que por trás de um simples noticiário está escondido um discurso dominante, que faz com que a população que tem pouco poder de crítica e reflexão acabe acreditando e aceitando a maneira como está sendo conduzida a administração do Estado.
Conclusão.
As eleições 2004 irão eleger os prefeitos e vereadores de 5.569 municípios brasileiros. As cidades estão poluídas de cartazes, panfletos e muitos outros tipos de propaganda. Os programas de rádio e TV estão carregados por um discurso ideológico dos grupos que dominam a política brasileira.
A propaganda eleitoral gratuita foi criada para democratizar as eleições, pois todos os candidatos ganharam seu espaço na mídia para expor a sua campanha, porém, os partidos inferiores sempre têm seu tempo menor que os demais. O instrumento que deveria democratizar as eleições as torna mais desiguais.
Os noticiários que teoricamente deveriam fornecer para a sociedade a verdadeira informação, por muitas vezes omitem fatos e distorcem a verdade, beneficiando alguns candidatos e prejudicando outros.
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